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December 02 Chico
Filho de Sérgio Buarque de Holanda, um importante historiador e jornalista brasileiro, e de Maria Amélia Cesário Alvim. Foi casado com a atriz Marieta Severo com quem teve três filhas: Sílvia, que é atriz e casada com Chico Diaz, Helena, casada com o percussionista Carlinhos Brown e Luísa. É irmão das cantoras Miúcha, Ana de Hollanda e Cristina. Nascido numa família ilustre, conheceu Vinicius de Moraes e Paulo Vanzolini dentre outros, antes de iniciar sua carreira, pois eles visitavam com frequência seus pais em sua casa na Itália. O começo: participação nos festivais da MPB nos anos 60No início da carreira conheceu Elis Regina, que havia ganhado o Festival de Música Popular Brasileira de 1965 com a canção Arrastão; mas a cantora acabou desistindo de gravá-lo devido à impaciência com a timidez do compositor. Chico Buarque se revelou ao público brasileiro quando ganhou o mesmo Festival, no ano seguinte (1966), patrocinado pela TV Record, com A Banda, interpretada por Nara Leão (empatou em primeiro lugar com Disparada, de Geraldo Vandré). No festival de 1967 faria sucesso também com Roda Viva, interpretada por ele e pelo grupo MPB-4 -- amigos e intérpretes de muitas de suas canções. Em 1968 voltou a vencer outro Festival, o III Festival Internacional da Canção da TV Globo. Como compositor, em parceira com Tom Jobim, com a canção Sabiá. Mas desta vez a vitória foi contestada pelo público, que preferiu a canção que ficou em segundo lugar: Pra não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré. Estilo musicalA participação no Festival, com A Banda, marcou a primeira aparição pública de grande repercussão apresentando um estilo amparado no movimento musical urbano carioca da Bossa nova, surgido em 1957. Ao longo da carreira, o samba e a MPB também seriam estilos amplamente explorados. Composições para o Cinema e livros que se tornaram filmesChico participou como ator e compôs várias canções de sucesso para o filme Quando o Carnaval chegar, musical de Cacá Diegues. Compôs a canção-tema do longa-metragem Vai trabalhar Vagabundo, de Hugo Carvana -- a canção ficou tão boa, que Carvana chegou a modificar o roteiro, a fim de usá-la melhor. Faria o mesmo com os filmes seguintes desse diretor: Se segura malandro e Vai trabalhar vagabundo II. Adaptou canções de uma peça infantil para o filme Os Saltimbancos Trapalhões do grupo humorístico Os Trapalhões e com interpretações de Lucinha Lins. Outras adaptações de uma peça homônima de sua autoria foram feitas para o filme A Ópera do Malandro, mais um musical cinematográfico. Vários filmes que tiveram canções-temas de sua autoria e que fizeram muito sucesso além dos citados: Bye Bye Brasil, Dona Flor e seus dois maridos e Eu te amo, os dois últimos com Sônia Braga. Recentemente, chegou a ter uma participação especial como ator no filme Ed Mort. Ele escreveu o livro que virou filme Benjamim, que foi ao ar nos cinemas em 2003, tendo como personagens principais Cleo Pires, Danton Melo e Paulo José Contribuição para o teatro e a literaturaMusicou as peças Morte e vida severina e o infantil Os Saltimbancos. Escreveu também várias peças de teatro, entre elas Roda Viva (proibida), Gota d'Água, Calabar (proibida), Ópera do malandro e alguns livros: Estorvo, Benjamim e Budapeste. Chico Buarque sempre se destacou como cronista nos tempos de colégio, seu primeiro livro foi publicado em 1966, trazia os manuscritos das primeiras composições e o conto Ulisses, e ainda uma crônica de Carlos Drummond de Andrade sobre A Banda. Em 1974, escreve a novela pecuária Fazenda modelo e, em 1979, Chapeuzinho Amarelo, um livro-poema para crianças. A bordo do Rui Barbosa foi escrito em 1963 ou 1964 e publicado em 1981. Em 1991, publica o romance Estorvo e, quatro anos depois, escreve o livro Benjamim. Em 2004, o romance Budapeste ganha o Prêmio Jabuti. Oficialmente, a vendagem mínima de seus livros é de 500 mil exemplares no Brasil. Programas de televisãoDeixou de participar de programas populares de televisão, tendo problemas com o apresentador Chacrinha, que teria feito uma piada com a letra da canção Pedro Pedreiro, ao ouvir o ensaio. Irritado, Chico foi embora e nunca se apresentou no programa. O executivo Boni proibiu qualquer referência a Chico durante a programação da TV Globo, depois que ambos também tiveram um entrevero, mas por pouco tempo, uma vez que ainda durante a década de 70 (e o começo da de 80) músicas suas constavam das trilhas de várias telenovelas, como Espelho Mágico e Sétimo Sentido. Ao fim da proibição vários anos depois, Chico aceitou fazer um programa com Caetano Veloso, que contou com a participação de outros artistas. A crítica à DitaduraAmeaçado pelo Regime Militar no Brasil, esteve exilado na Itália em 1969, onde chegou a fazer espetáculos com Toquinho. Nessa época teve suas canções Apesar de você (alusão negativa ao presidente Emílio Garrastazu Médici) e Cálice censuradas pela censura brasileira. Adotou o pseudônimo de Julinho da Adelaide, com o qual compôs apenas três canções. Na Itália Chico tornou-se amigo do cantor Lucio Dalla, de quem fez a belíssima Minha História, versão em português (1970) da canção Gesubambino, de Lucio Dalla e Paola Palotino. Ao voltar ao Brasil continuou com composições que denunciavam aspectos sociais, econômicos e culturais, como a célebre Construção ou a divertida Partido Alto. Apresentou-se com Caetano Veloso (que também foi exilado, mas na Inglaterra) e Maria Bethânia. Teve outra de suas músicas associada a críticas a um presidente do Brasil. Julinho da Adelaide, aliás, não era só um pseudônimo, mas sim a forma que o compositor encontrou para driblar a censura, então implacável ao perceber seu nome nos créditos de uma música. Para completar a farsa e dar-lhe ares de veracidade, Julinho da Adelaide chegou a ter cédula de identidade e até mesmo a conceder entrevista a um jornal da época. Uma das canções de Chico Buarque que criticam a ditadura, é uma carta em forma de música, uma carta musicada que ele fez em homenagem ao Augusto Boal, que vivia no exílio, quando o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. A canção se chama Meu Caro Amigo e foi dirigida a Boal, que na época estava exilado em Lisboa. A canção foi lançada originalmente num disco de título quase igual, chamado Meus Caros Amigos, do ano de 1976.
Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura, cantou, ainda que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de We Are the World, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções Chega de mágoa e Seca d´água. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro. O "eu" femininoComposições que se notabilizaram pela decantação de um "eu" feminino, retratando temas a partir do ponto de vista das mulheres com notória poesia e beleza: esse estilo é adaptado em Com açúcar e com afeto escrito para Nara Leão; continuou nessa linha com belas canções como Olhos nos Olhos e Teresinha, gravadas por Maria Bethânia, Atrás da Porta, interpretada por Elis Regina, e Folhetim, com Gal Costa e Iolanda (versão adaptada de letra original de Pablo Milanés), num dueto com Simone. Os intérpretes de ChicoPara muitos fãs, o melhor intérprete das canções de Chico Buarque é o próprio Chico. Mas como ele nunca se negou a oferecer a seus amigos e familiares cantores composições originais, não se pode negar que algumas dessas canções passaram a ter versões "definitivas" em outras vozes, tal a qualidade das mesmas: além das citadas canções do "eu" feminino, temos o exemplo da antológica performance de Elis Regina na canção Atrás da Porta; Cio da Terra, com gravações emocionantes de Milton Nascimento e da dupla rural Pena Branca & Xavantinho; e de interpretações de Ney Matogrosso. O sucesso de Cio da Terra alcançado pela dupla sertaneja citada mostra, aliás, que a arte de Chico não se restringe ao entendimento das elites da MPB. Isso já havia sido notado quando ele compôs diversos sambas (Olê Olá, Quando o Carnaval chegar), que agradavam o público e a maioria dos artistas tradicionais desse gênero musical. Não foi por menos que, já consagrado, em 1998, Chico Buarque foi tema do enredo da escola de samba Mangueira que sagrou-se campeã do carnaval naquele ano. Deve-se mencionar ainda seu êxito com outras composições que fez para cantores populares já com a carreira em declínio, como nos casos de Ângela Maria, que gravou Gente Humilde e Cauby Peixoto com Bastidores. Dentre os artistas que regravaram músicas suas em estilo popular podem ser citados ainda Rolando Boldrin, que relançou Minha História.
Desde muito jovem, conquistou reconhecimento de crítica e público tão logo os primeiros trabalhos foram apresentados. Ao longo da carreira foi parceiro como compositor e intérprete de vários dos maiores artistas da Música Popular Brasileira como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Toquinho, Milton Nascimento e Caetano Veloso. Seus parceiros mais constantes são Francis Hime e Edu Lobo. Obra teatralEm 1965, a pedido de Roberto Freire (o escritor e terapeuta, não confundir com o político), diretor do Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA), Chico musicou o poema Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto, para a montagem da peça. Desde então, sua presença no teatro brasileiro tem sido constante:
A peça Roda viva foi escrita por Chico Buaque no final de 1967 e estreou no Rio de Janeiro, no início de 1968, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, com Marieta Severo, Heleno Pests e Antônio Pedro nos papéis principais. A temporada no Rio foi um sucesso, mas a obra virou um símbolo da resistência contra a ditadura durante a temporada da segunda montagem, com Marília Pêra e Rodrigo Santiago. Um grupo de cerca de 110 pessoas do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiu o Teatro Galpão, em São Paulo, em julho daquele ano, espancou artistas e depredou o cenário. No dia seguinte, Chico Buarque estava na platéia para apoiar o grupo e começava um movimento organizado em defesa de Roda viva e contra a censura nos palcos brasileiros. Chico disse no documentário Bastidores, que pode ter havido um erro, e que peça que o comando deveria invadir acontecia em outro espaço do teatro.
Calabar: o Elogio da Traição, foi escrita no final de 1973, em parceria com o cineasta Ruy Guerra e dirigida por Fernando Peixoto. A peça relativiza a posição de Domingos Fernandes Calabar no episódio histórico em que ele preferiu tomar partido ao lado dos holandeses contra a coroa portuguesa. Era uma das mais caras produções teatrais da época, custou cerca de 30 mil dólares e empregava mais de 80 pessoas. Como sempre, a censura do regime militar deveria aprovar e liberar a obra em um ensaio especialmente dedicado a isso. Depois de toda a montagem pronta e da primeira liberação do texto, veio a espera pela aprovação final. Foram três meses de expectativa e, em 20 de outubro de 1974, o general Antônio Bandeira, da Polícia Federal, sem motivo aparente, proibiu a peça, proibiu o nome "Calabar" e proibiu que a proibição fosse divulgada. O prejuízo para os autores e para o ator Fernando Torres, produtores da montagem, foi enorme. Seis anos mais tarde, uma nova montagem estrearia, desta vez, liberada pela censura.
Em 1975, Chico escreveu com Paulo Pontes a peça Gota d'Água, a partir de um projeto de Oduvaldo Viana Filho, que já havia feito uma adaptação de Medéia, de Eurípedes, para a televisão. A tragédia urbana, em forma de poema com mais de quatro mil versos, tem como pano de fundo as agruras sofridas pelos moradores de um conjunto habitacional, a Vila do Meio-dia, e, no centro, a relação entre Joana e Jasão, um compositor popular cooptado pelo poderoso empresário Creonte. Jasão termina por largar Joana e os dois filhos para casar-se com Alma, a filha do empresário. A primeira montagem teve Bibi Ferreira no papel de Joana e a direção de Gianni Ratto. O saudoso Luiz Linhares foi um dos atores daquela primeira montagem.
O texto da Ópera do malandro é baseado na Ópera dos mendigos (1728), de John Gay, e na Ópera de três vinténs (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill. O trabalho partiu de uma análise dessas duas peças conduzida por Luís Antônio Martinez Corrêa e que contou com a colaboração de Maurício Sette, Marieta Severo, Rita Murtinho e Carlos Gregório. A equipe também cooperou na realização do texto final através de leituras, críticas e sugestões. Nessa etapa do trabalho, muito valeram os filmes Ópera de três vinténs, de Pabst, e Getúlio Vargas, de Ana Carolina, os estudos de Bernard Dort O teatro e sua realidade, as memórias de Madame Satã, bem como a amizade e o testemunho de Grande Otelo. Participou ainda o professor Manuel Maurício de Albuquerque para uma melhor percepção dos diferentes momentos históricos em que se passam as três óperas. O professor Werneck Viana contribuiu posteriormente com observações muito esclarecedoras. E Maurício Arraes juntou-se ao grupo, já na fase de transposição do texto para o palco. A peça é dedicada à lembrança de Paulo Pontes.
Inspirado no poema do modernista Jorge de Lima, Chico e Edu Lobo compuseram juntos a canção homônima para este espetáculo. Em 1983, e durante os dois anos seguintes, viajaram o país apresentando este que foi um dos maiores e mais completos espetáculos já realizados. Um disco coletivo foi lançado pela Som Livre para registrar a obra, com interpretações de grandes nomes da MPB. Discografia
Chico Buarque em apresentação no Canecão.
November 19 BelchiorBelchiorAntônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (Sobral, 26 de outubro de 1946) é um cantor brasileiro. Durante sua infância no Ceará foi cantador de feira e poeta repentista. Estudou música coral e piano com Acaci Halley. Foi programador de rádio em Sobral, e em Fortaleza começou a dedicar-se à música, após abandonar o curso de medicina. Ligou-se a um grupo de jovens compositores e músicos, como Fagner, Ednardo, Rodger Rogério, Teti, Cirino entre outros, conhecidos como o Pessoal do Ceará. De 1965 a 1970 apresentou-se em festivais de música no Nordeste. Em 1971, quando se mudou para o Rio de Janeiro, venceu o IV Festival Universitário da MPB, com a canção Na Hora do Almoço, cantada por Jorge Melo e Jorge Teles, com a qual estreou como cantor em disco, um compacto da etiqueta Copacabana. Em São Paulo, para onde se mudou, compôs canções para alguns filmes de curta metragem, continuando a trabalhar individualmente e às vezes com o grupo do Ceará. Em 1972 Elis Regina gravou sua composição Mucuripe (com Fagner). Atuando em escolas, teatros, hospitais, penitenciárias, fábricas e televisão, gravou seu primeiro LP em 1974, na Chantecler. O segundo, Alucinação (Polygram, 1976), consolidou sua carreira, lançando canções de sucesso como Velha roupa colorida, Como nossos pais (depois regravadas por Elis Regina) e Apenas um rapaz latino-americano. Outros êxitos incluem Paralelas (lançada por Vanusa), Galos, noites e quintais (regravada por Jair Rodrigues) e Comentário a respeito de John (homenagem a John Lennon). Em 1983 fundou sua própria produtora e gravadora, Paraíso Discos, e em 1997 tornou-se sócio do selo Camerati. Sua discografia inclui Um show – dez anos de sucesso (1986, Continental) e Vicio elegante (1996, GPA/Velas), com regravações de sucessos de outros compositores. Discografia
November 16 Che - Crítica da revista Veja Che Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa "Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto." Há quarenta anos, no dia 8 de outubro de 1967, essa frase foi gritada por um guerrilheiro maltrapilho e sujo metido em uma grota nos confins da Bolívia. Nunca mais foi lembrada. Seu esquecimento deve-se ao fato de que o pedido de misericórdia, o apelo desesperado pela própria vida e o reconhecimento sem disfarce da derrota não combinam com a aura mitológica criada em torno de tudo o que se refere à vida e à morte de Ernesto Guevara Lynch de la Serna, argentino de Rosário, o Che, que antes, para os companheiros, era apenas "el chancho", o porco, porque não gostava de banho e "tinha cheiro de rim fervido".
Essa é a realidade esquecida. No mito, sempre lembrado, ecoam as palavras ditas ao tenente boliviano Mário Terán, encarregado de sua execução, e que parecia hesitar em apertar o gatilho: "Você vai matar um homem". Essas, sim, servem de corolário perfeito a um guerreiro disposto ao sacrifício em nome de ideais que valem mais que a própria vida. Ambas as frases foram relatadas por várias testemunhas e meticulosamente anotadas pelo capitão Gary Prado Salmón, do Exército boliviano, responsável pela captura de Che. Provenientes das mesmas fontes, merecem, portanto, idêntica credibilidade. O esquecimento de uma frase e a perpetuação da outra resumem o sucesso da máquina de propaganda marxista na elaboração de seu maior e até então intocado mito. Che tem um apelo que beira a lenda entre os jovens dos cinco continentes. Como homem de carne e osso, com suas fraquezas, sua maníaca necessidade de matar pessoas, sua crença inabalável na violência política e a busca incessante da morte gloriosa, foi um ser desprezível. "Ele era adepto do totalitarismo até o último pêlo do corpo", escreveu sobre ele o jornalista francês Régis Debray, que por alguns meses conviveu com Che na Bolívia. Por suas convicções ideológicas, Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história já arremessou há tempos outros teóricos e práticos do comunismo, como Lenin, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel Castro. Entre a captura e a execução de Che na Bolívia, passaram-se 24 horas. Nesse período, o governo boliviano e os americanos da CIA que ajudaram na operação decidiram entre si o destino de Guevara. Execução sumária? Não para os padrões de Che. Centenas de homens que ele fuzilou em Cuba tiveram sua sorte selada em ritos sumários cujas deliberações muitas vezes não passavam de dez minutos. VEJA conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na guerrilha e no governo cubano na tentativa de entender como o rosto de um apologista da violência, voluntarioso e autoritário, foi parar no biquíni de Gisele Bündchen, no braço de Maradona, na barriga de Mike Tyson, em pôsteres e camisetas. Seu retrato clássico – feito pelo fotógrafo cubano Alberto Korda em 1960 – é a fotografia mais reproduzida de todos os tempos. O mito é particularmente enganoso por se sustentar no avesso do que o homem foi, pensou e realizou durante sua existência. Incapaz de compreender a vida em uma sociedade aberta e sempre disposto a eliminar a tiros os adversários – mesmo os que vestiam a mesma farda que ele –, Che é, paradoxalmente, visto como um símbolo da luta pela liberdade. Guevara é responsável direto pela morte de 49 jovens inexperientes recrutas que faziam o serviço militar obrigatório na Bolívia. Eles foram mobilizados para defender a soberania de sua pátria e expulsar os invasores cubanos, sob cujo fogo pereceram. Tendo ajudado a estabelecer um sistema de penúria em Cuba, Che agora é apresentado como um símbolo de justiça social. Politicamente dogmático, aferrado com unhas e dentes à rigidez do marxismo-leninismo em sua vertente mais totalitária, passa por livre-pensador. O regime policialesco de Fidel
Castro não permite que aqueles que conviveram com Che
e permanecem em Cuba possam ir além da cinzenta ladainha
oficial. Por isso, apesar do rancor que pode apimentar suas
lembranças, os exilados cubanos são vozes de
maior credibilidade. O movimento que derrubou o ditador Fulgencio
Batista, em 1959, não foi uma ação de
comunistas, como pretende Fidel Castro. Boa parte da liderança
revolucionária e dos comandantes guerrilheiros tinha
por objetivo a instauração da democracia em
Cuba. Mas foi surpreendida por um golpe comunista dentro da
revolução. Acabaram presos, fuzilados ou deportados.
Desde o início, Che representou a linha dura pró-soviética,
ao lado do irmão de Fidel, Raul Castro. Na versão
mitológica, Che era dono de um talento militar excepcional.
Seus ex-companheiros, no entanto, lembram-se dele como um
comandante imprudente, irascível, rápido em
ordenar execuções e mais rápido ainda
em liderar seus camaradas para a morte, em guerras sem futuro
no Congo e na Bolívia.
Nomeado comandante da fortaleza La Cabaña, para onde eram levados presos políticos, Che Guevara a converteu em campo de extermínio. Nos seis meses sob seu comando, duas centenas de desafetos foram fuzilados, sendo que apenas uma minoria era formada por torturadores e outros agentes violentos do regime de Batista. A maioria era apenas gente incômoda. Napoleon Vilaboa, membro do Movimento 26 de Julho e assessor de Che em La Cabaña, conta agora ter levado ao gabinete do chefe um detido chamado José Castaño, oficial de inteligência do Exército de Batista. Sobre Castaño não pesava nenhuma acusação que pudesse produzir uma sentença de morte. Fidel chegou a ligar para Che para depor a favor de Castaño. Tarde demais. Enquanto dava voltas em torno de sua mesa e da cadeira onde estava o militar, Che sacou a pistola 45 e o matou ali mesmo com balaços na cabeça. Em outra ocasião, Che foi procurado por uma mãe desesperada, que implorou pela soltura do filho, um menino de 15 anos preso por pichar muros com inscrições contra Fidel. Um soldado informou a Che que o jovem seria fuzilado dali a alguns dias. O comandante, então, ordenou que fosse executado imediatamente, "para que a senhora não passasse pela angústia de uma espera mais longa". Em seu diário da campanha em Sierra Maestra, Che antecipa o seu comportamento em La Cabaña. Ele descreve com naturalidade como executou Eutímio Guerra, um rebelde acusado de colaborar com os soldados de Batista: "Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no lobo temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. Seus bens agora me pertenciam". Em outro momento, Che decidiu executar dois guerrilheiros acusados de ser informantes de Batista. Ele disse: "Essa gente, como é colaboradora da ditadura, tem de ser castigada com a morte". Como não havia provas contra a dupla, os outros rebeldes presentes se opuseram à decisão de Che. Sem lhes dar ouvidos, ele executou os dois com a própria pistola. Essa frieza e a crueldade sumiram atrás da moldura romântica que lhe emprestaram, construída pelos mesmos ideólogos que atribuíram a ele a frase famosa – "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás". Frase criada pela propaganda esquerdista. Como o jovem aventureiro que excursionou de motocicleta pelas Américas se tornou um assassino cruel e maníaco? O jornalista americano Jon Lee Anderson, autor da mais completa biografia de Che, escreveu que ele era um fatalista – e esse fatalismo aguçou-se depois que se juntou aos guerrilheiros cubanos. "Para ele, a realidade era apenas uma questão de preto e branco. Despertava toda manhã com a perspectiva de matar ou morrer pela causa", afirma Anderson. Ernesto Guevara Lynch de la
Serna nasceu em 14 de maio de 1928, em uma família
de esquerdistas ricos na Argentina. Sofreu de asma a vida
inteira. Antes de se formar em medicina, profissão
que nunca exerceu de fato, viajou pela América do Sul
durante oito meses. Depois de terminada a faculdade, saiu
da Argentina para nunca mais voltar. Encontrou-se com Fidel
Castro no México, em 1955, onde aprendeu técnicas
de guerrilha. No ano seguinte, participou do desembarque em
Cuba do pequeno contingente de revolucionários. Depois
de dois anos de combates na Sierra Maestra, Fidel tomou o
poder em Havana. Che ocupou-se primeiro dos fuzilamentos e,
depois, da economia, assunto do qual nada entendia. José
Illan, que foi vice-ministro de Finanças antes de fugir
de Cuba, contou a VEJA que o argentino "desprezava os técnicos
e tratava a nós, os jovens cubanos, com prepotência".
No comando do Banco Central e depois do Ministério
da Indústria, Che começou a nacionalizar a indústria
e foi o principal defensor do controle estatal das fábricas.
"Che era um utópico que acreditava que as coisas podiam
ser feitas usando-se apenas a força de vontade", diz
o historiador Pedro Corzo, do Instituto da Memória
Histórica Cubana, em Miami. Como resultado de sua "força
de vontade", a produção agrícola caiu
pela metade e a indústria açucareira, o principal
produto de exportação de Cuba, entrou em colapso.
Em 1963, em estado de penúria, a ilha passou a viver
da mesada enviada pela então União Soviética.
Não havia mais o que Che pudesse fazer em Cuba. Era ministro da Indústria, mas divergia de Fidel em questões relativas ao desenvolvimento econômico. De maneira simplista, ele acreditava que incentivos morais tinham maiores probabilidades de estimular o trabalho. Che também se tornou crítico feroz da União Soviética, da qual o regime cubano dependia para sobreviver. Não por discordar do Kremlin, mas porque julgava os soviéticos tímidos na promoção da revolução armada no Terceiro Mundo. Para se livrar dele, Fidel o mandou como delegado à Assembléia-Geral das Nações Unidas em 1964. No ano seguinte, Che foi secretamente combater no Congo, à frente de soldados cubanos. Ali, paralisado por incompreensíveis rivalidades tribais, derrotado no campo de batalha e abatido pela diarréia, Che propôs a seus comandados lutar até a morte. Mas foi demovido do propósito pela soldadesca, que não aceitou o sacrifício numa guerra sem sentido. Daí em diante o argentino tornou-se uma figura patética. Em Havana, Fidel divulgara a carta em que ele renunciava à cidadania cubana e anunciava sua disposição de levar a guerra revolucionária a outras plagas. Pego de surpresa pela leitura prematura do documento, Che ficou no limbo, sem ter para onde voltar. "Sua vida foi uma seqüência de fracassos", disse a VEJA o historiador cubano Jaime Suchlicki, da Universidade de Miami. "Como médico, nunca exerceu a profissão. Como ministro e embaixador, não conseguiu o que queria. Como guerrilheiro, foi eficiente apenas em matar por causas sem futuro." Na falta de opções, Che escolheu a Bolívia para sua nova aventura guerrilheira. Ele lutaria em território montanhoso e inóspito, imerso na selva, sem falar o dialeto indígena dos camponeses bolivianos. O plano original era adentrar, pela fronteira, a província argentina de Salta. Mas um contigente exploratório foi aniquilado rapidamente pelo exército daquele país. A missão boliviana era, de todos os pontos de vista, suicida. Ainda assim, Fidel a apoiou, a ponto de designar alguns soldados de seu exército para o destacamento guerrilheiro. O ditador cubano também equipou e financiou a expedição, com a qual manteve contato até que seu fracasso se tornou evidente. Além da falta de apoio do povo boliviano, que tratou os cubanos chefiados por Che como um bando de salteadores, a expedição fracassou também pela traição do Partido Comunista Boliviano. VEJA perguntou a um de seus mais altos dirigentes dos anos 60, Juan Coronel Quiroga: "O PCB traiu Che Guevara?". Resposta de Quiroga: "Sim". A explicação? "Nosso partido era afinado com Moscou, onde a estratégia de abrir focos de guerrilha como a de Che estava há muito desacreditada." Quiroga era amigo pessoal do então ministro da Defesa da Bolívia e conseguiu que as mãos do cadáver de Che Guevara fossem decepadas, mantidas em formol e entregues a ele. "Por anos guardei as mãos de Che debaixo da minha cama em um grande pote de vidro. Um dia meu filho deparou com aquilo e quase entrou em pânico", conta Quiroga. Anos mais tarde, coube a Quiroga a missão de entregar o lúgubre pote com as mãos de Guevara à Embaixada de Cuba em Moscou. A morte de Che foi central para a estabilização do regime cubano nos anos 60, de acordo com o polonês naturalizado americano Tad Szulc, na sua celebrada biografia de Fidel. O fim do guerrilheiro argentino ajudou o ditador a pacificar suas relações com Moscou e ainda lhe forneceu um ícone de aceitação mais ampla que a própria revolução. O esforço de construção do mito foi facilitado por vários fatores. Quando morreu, Che era uma celebridade internacional. Boa-pinta, saía ótimo nas fotografias. A foto do pôster que enfeita quartos de milhões de jovens foi tirada num funeral em Havana, ao qual compareceram o filósofo francês Jean-Paul Sartre – que exaltou Che como "o mais completo ser humano de nossa era" – e sua mulher, a escritora Simone de Beauvoir. A foto de 1960 só ganhou divulgação mundial sete anos depois, nas páginas da revista Paris Match. Dois meses mais tarde, Che foi morto na selva boliviana e Fidel fez um comício à frente de uma enorme reprodução da imagem, que preenchia toda a fachada de um prédio público cubano. Nascia o pôster. Três fatos ajudaram a
consolidar o mito. O primeiro foi a morte prematura de Che,
que eternizou sua imagem jovem. Aos 39 anos, ele estava longe
de ser um adolescente quando foi abatido, mas a pinta de galã
lhe garantia um aspecto juvenil. O fim precoce também
o salvou de ser associado à agonia do comunismo. A
decadência física e política de Fidel
Castro, desmoralizado pela responsabilidade no isolamento
e no atraso econômico que afligem o povo cubano, dá
uma idéia do que poderia ter acontecido com Che, que
era apenas dois anos mais jovem que o ditador.
O segundo fato foi a ajuda involuntária de seus algozes. Preocupados em reunir provas convincentes de que o guerrilheiro célebre estava morto, os militares bolivianos mandaram lavar o corpo e aparar e pentear sua barba e seu cabelo. Também resolveram trocar sua roupa imunda. Tudo isso para poder tirar fotos em que ele fosse facilmente identificado. O resultado é um retrato com espantosa semelhança com as pinturas barrocas do Cristo morto de expressão beatificada. A terceira contribuição recebida pelos esquerdistas na construção do mito veio do contexto histórico. Che morreu às vésperas dos grandes protestos em defesa dos direitos civis, da agitação dos movimentos estudantis e da revolução de costumes da contracultura – turbulências que marcaram o ano de 1968. Era um personagem perfeito para ser símbolo da juventude de então, que se definia pela "determinação exacerbada e narcisista de conseguir tudo aqui e agora", como escreveu o mexicano Jorge Castañeda, em sua biografia de Che. A história, no entanto, mostra que o homem era muito diferente do mito. Mas quem resiste? Neste mês, nos Estados Unidos, o cubano Gustavo Villoldo, chefe da equipe da CIA que participou da captura do guerrilheiro, vai leiloar uma mecha de cabelo de Che. Se houve um ganhador da Guerra Fria, foi Che Guevara. Ele morreu e foi santificado antes que seu narcisismo suicida e os crimes que decorreram dele pudessem ser julgados com distanciamento, sob uma luz mais civilizada, que faria aflorar sua brutalidade com nitidez. Pobre Fidel Castro. Enquanto Che foi cristalizado na foto hipnótica de Alberto Korda, ele próprio, o supremo comandante, aparece cada dia mais roto, macilento, caduco, enquanto se desmancha lentamente dentro de um ridículo agasalho esportivo diante das lentes das câmeras da televisão estatal cubana. O método de luta política que Guevara adotou já era errado em seu tempo. No rastro de suas concepções de revolução pela revolução, a América Latina foi lançada em um banho de sangue e uma onda de destruição ainda não inteiramente avaliada e, pior, não totalmente assentada. O mito em torno de Che constitui-se numa muralha que impediu até agora a correta observação de alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas. Está passando da hora de essa muralha cair.
Ele está em toda parte
November 11 A "Sociologia" do Capitão NascimentoA Sociologia do Capitão NascimentoA "Sociologia do Capitão Nascimento", nova ideologia policial encomendada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, repousa em três pressupostos fundamentais:1) o narcotráfico é a principal causa da violência no Rio; 2) há uma guerra em curso, no Rio, contra o narcotráfico; 3) numa guerra, todos os meios são válidos, principalmente a tortura e a execução sumária.Tropa de Elite é uma exposição didático-popular da Sociologia do Capitão Nascimento, cujo objetivo é tornar aceitáveis para as classes médias do país, a massa consumidora que constitui a chamada "opinião pública", os pressupostos 2 e 3. Tornando-os aceitáveis, as conclusões da Sociologia do Capitão Nascimento parecerão justas e corretas. Quem admitir que a polícia do Rio está em guerra com os traficantes, admitirá também a tortura e a execução sumária como métodos válidos. Como os brasileiros são, em geral, partidários da política de "Guerra ao Terror" de George Bush, é natural que se sintam inclinados a apoiar a política de "Guerra ao Tráfico na Favela" implementada pelos empregados pobres do governo dos EUA no terceiro mundo.
Quanto à veracidade dos fundamentos dessa nova doutrina policial, percebe-se de imediato o seguinte:i - O primeiro pressuposto é discutível;ii - O segundo é falso;iii - O terceiro é discutível. É dessa ambigüidade das bases da doutrina, além é claro do apelo dramático obtido com a exposição cinematográfica, que decorre a aceitação passiva dela por parte da opinião pública. Enunciada sem o filme, sem o apoio incondicional da mídia, a Sociologia do Capitão Nascimento não passa de uma típica asneira proveniente das mentalidades apodrecidas e corruptas que governam o país. Entretanto, com o apoio do Wagner Moura e do Padilha, com o eco da Veja e de milhões de distantes espectadores, que conhecem a suposta "Guerra do Rio de Janeiro" apenas pelo Jornal Nacional, a doutrina adquiriu numerosos seguidores. Como toda ideologia encomendada pelo Estado, a Sociologia do Capitão Nascimento visa justificar uma política injustificável. Há muito tempo a situação do Rio saiu do controle. Os traficantes e as milícias privadas (formadas por ex-policias, bandidos e oficiais de carreira) governam dezenas ou mesmo centenas de favelas. O Estado perdeu o controle de porções imensas da capital. Milhões de seres humanos vivem sob o regime despótico e insano do crime organizado. Isso não quer dizer, naturalmente, que os bairros da capital que ainda recebem alguma assistência do Estado não estejam também sob um regime igualmente bestial e despótico. Significa apenas que há dois tipos de poderes no Rio de Janeiro dos nossos dias: 1. o poder dos traficantes e das milícias privadas; 2. o poder do Estado. Esses dois poderes estão em conflito. Não porque se odeiem mutuamente, mas porque o poder do crime organizado comete muitos excessos. É desagradável mesmo para a burguesia do Rio (que nutre desejos nada secretos de promover uma limpeza étnico-social com o extermínio em massa dos favelados) ver nos noticiários estrangeiros pessoas sendo queimadas vivas em coletivos. Quando esses excessos são cometidos na favela, tudo bem, não tem importância. Quando pessoas são esquartejadas, mutiladas, torturadas ou queimadas vivas na favela, não há problema. A burguesia não está nem aí. Mas quando a notícia sai no Times ou no Le Monde, ela sente uma espécie de mal estar. Não pelas vítimas ou pelas atrocidades em si, mas porque as ações de suas companhias aéreas na bolsa começam a cair. A indústria do turismo sofre em demasia com os excessos praticados pelos narcotraficantes. A morte de um João Hélio ou mesmo a de um pobre como o Jorge Cauã, quando é divulgada na Europa ou nos EUA, causa perdas significativas para os poderosos donos das agências de viagens, redes de hotelaria e turismo.
Mas é claro que o Governador do Estado do Rio de Janeiro e seu Secretário de Segurança Pública não estão nem um pouco preocupados com o mundo das favelas. O Estado não se importa nem um pouco com o crescimento do crime organizado, pois há milhares de fortes acionistas do crime organizado no interior do Estado. Em certo sentido, o Estado é o crime mais bem organizado que existe. Ele mantém a desigualdade social, ele legaliza a expropriação secular dos oprimidos. Ele assegura o funcionamento regular da escravidão assalariada. É o Estado que garante que 100 milhões vivam na pobreza, dos quais 50 milhões na miséria, enquanto os senhores Joseph & Moise Safra, os Andrade Faria, os Jorge Paulo Lemann, os Antônio Ermírio de Moraes, os Bozano-Simonsen, os Santos Diniz, os Hermam Telles, os Seabra, os Steinbruch, e mais alguns outros, detenham fortunas pessoais que alcancem somadas a extraordinária cifra dos 30 bilhões de dólares! Ora, com todo esse dinheiro, esses senhores desejam aproveitar o Brasil. Eles querem gozar o seu "Paraíso Tropical". Eles querem o Rio de volta para eles. Eles querem os prazeres de Copacabana, Ipanema, Leblon, Zona Sul... De que adianta possuir uma fortuna estimada em bilhões de dólares e levar um balaço na cabeça em um semáforo, disparado por um molequinho de rua armado com um 38? Não adianta nada. Nem todo o dinheiro do mundo vai reconstituir os pedaços da cabeça da ex-senhora Gerdal, que passeava tranqüilamente no Leblon, em sua Mercedes blindada, quando cometeu o erro de deixar o vidro aberto e seus miolos saíram voando. A burguesia quer paz. A burguesia quer tranqüilidade. Ela acumulou enormes fortunas com séculos de esforços árduos das classes exploradas. Ela acumulou fabulosas quantias de dinheiro fazendo do Brasil um dos países mais desiguais do mundo. Séculos de terrível exploração, misérias, escravidão, esforços sobre-humanos extraídos das massas trabalhadoras, séculos de parasitismo social, para acabar assim? Com a cabeça despedaçada por um 38? A burguesia está cansada. Ela cansou disso tudo. Ela não suporta mais as dimensões que a miséria adquiriu. Ela quer o Rio de volta.E ela não quer que seus sócios do morro, ligados à poderosa indústria mundial do tráfico de armas e entorpecentes, cometa excessos diante da opinião pública. Se for na favela, escondido, tudo bem. Mas na frente das câmeras, não! Mas como conseguir a paz num regime de fome, penúrias, privações, sofrimentos, angústias, terror, violência? Como conseguir a paz nessas condições? Com passeatas ridículas? Com campanhas pelo desarmamento?Nesse ponto, a mentalidade do burguês, embotada pelas cifras dos rendimentos de suas aplicações, chega à seguinte conclusão:"Senta o dedo nessa porra!"É claro, porém, que o burguês não vai ele próprio botar a mão na massa, lógico que não! Ele tem seus empregados.É nessa hora que entram em cena o Governador do Estado, o Secretário de Segurança Pública e a Rede Globo. Eles dizem:"Estamos em guerra. Caveira! Temos que usar todos os meios disponíveis. Precisamos torturar e matar. Antes disso, vamos preparar o terreno. Vamos fazer um filminho. Cinema para o povão. Um filme bem didático, com bastante narração em off que é pro povão entender, principalmente a classe média, que é burra. Vamos fazer um filminho capaz de desumanizar as pessoas. Vamos fazer um filminho capaz de tornar cada imbecil telespectador do Jornal Nacional um apoiador incondicional de nossos conflitos televisivos como o narcotráfico. Vamos fazer um filme de tal maneira que as pessoas acreditem que é justo matar e torturar. Vamos transformar nossas tropas de extermínio em 'Tropas de Elite'. Seus executores e torturadores virarão heróis. Assim, a classe média que assiste a 'guerra do Rio' pela TV vai achar que estamos fazendo um bom trabalho de combate ao crime. E, principalmente, conseguiremos deixar os turistas estrangeiros mais tranqüilos. Precisamos mostrar a eles que em breve, se conseguirmos controlar esses animais, o Rio se tornará mais seguro. Caveira neles!" E aí é lógico que sempre tem um Global à disposição. É lógico também que sempre haverá os capitais de uma multinacional como a Miramax à disposição.Foi assim que eles conseguiram difundir a Sociologia do Capitão Nascimento, que é a versão tupinambá da política de "tolerância zero" nova-iorquina, a versão terceiro-mundista das políticas de repressão contra imigrantes dos países europeus, a versão Made In Rede Globo da guerra contra a pobreza travada nos países imperialistas.
Tropa de Elite é essa merda toda. Mas cuidado.O filme não é propriamente fascista, pois a classe dominante brasileira não deseja o fascismo.A classe dominante brasileira está muito satisfeita com o governo Lula. Afinal, "nunca antes nesse país" os banqueiros ganharam tanto dinheiro! "Nunca antes nesse país" os capitais estrangeiros especulativos foram tão bem remunerados! "Nunca antes nesse país" os usineiros puderam contar com um herói tão abnegado! "Nunca antes nesse país" as companhias aéreas tiveram tantos privilégios, podendo até derrubar aviões à vontade! "Nunca antes nesse país" os corruptos foram tão privilegiados, contando com fantásticas absolvições e com a blindagem concedida pelo próprio Presidente da República! Os pobres favelados do Rio de Janeiro, coadjuvantes involuntários das filmagens da "guerra", perceberão rapidamente a natureza real dessa política. Porque eles perderão ainda muitos Jorge Cauãs, centenas, milhares deles. E para piorar, agora que a execução sumária e a tortura foram legalizadas, essas mortes se tornarão ainda mais dramáticas. A classe média, por sua vez, a prostituta dessa trágica novela, se tornará cada vez mais favorável ao terror, porque ela gosta de ver cenas de combate, de tortura, de repressão. Na TV é tudo muito bonito. A classe média adora! Ela se sente mais segura quando vê um helicóptero disparando contra bandidos desarmados em fuga. Ela adora isso! O único problema é que as ações das Tropas da Elite nas favelas vão aumentar ainda mais a violência. Pois os traficantes não são idiotas como o "Baiano". Eles são poderosos capitalistas como o Fernandinho Beira-Mar, que possui uma fortuna estimada em 40 milhões de dólares. E eles não estão dispostos a perder seus negócios por conta dos desejos de "paz" da burguesia ligada ao setor de turismo. Eis aí em que se resume o conteúdo da "doutrina" do bravo Capitão Nascimento.Não é incrível que o cretiníssimo jornalista da Veja tenha invocado Aristóteles para defender essa merda de filme?
* Texto de José Luís dos Santos, 31, jornalista (desempregado).(Observatório da Industria Cultural) "Menino-Aranha" salva bebê em SCMenino de 5 anos salva bebê em incêndio em SCMãe de menina de 1 ano e 10 meses não conseguiu entrar na casa para pegar a filha.
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| Brasileiro | Libertadores | Mundial | Copa do Brasil | Estadual | ||
| São Paulo | 5 | 3 | 3 | 0 | 22 |
| Santos | 2 | 2 | 2 | 0 | 17 |
| Flamengo | 5 | 1 | 1 | 2 | 29 | |
| Grêmio | 2 | 2 | 1 | 4 | 35 |
| Cruzeiro | 1 | 2 | 0 | 4 | 34 |
| Inter | 3 | 1 | 1 | 1 | 37 |
| Corinthians | 4 | 0 | 1 | 1 | 25 | |
| Vasco | 4 | 1 | 0 | 0 | 22 | |
| Palmeiras | 4 | 1 | 0 | 0 | 21 |

Nome:
Rubem Fonseca
Nascimento:
11/05/1925
Natural:
Juiz de Fora -MG
Rubem Fonseca
"Neste momento estou desenvolvendo o começo da história que iniciei com o título que lhe deu o sopro inicial de vida. No quiosque de livros da praça li um poema no qual o autor (roubei dele o título da minha história) diz que o mundo é doloroso, os seres humanos não merecem existir e ele, poeta, suspeita que a crueldade da sua imaginação está de certa forma conectada com seus impulsos criativos. Matar a velha, não a crueldade, como disse o poeta, mas a força do meu ato e não apenas da minha imaginação foi a impulsão que fará de mim um verdadeiro escritor. Tenho, agora, o começo, tenho o meio e o fim." (Pequenas criaturas - "Começo")
Nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 11 de maio de 1925, José Rubem Fonseca é
formado em Direito, tendo exercido várias atividades antes de dedicar-se inteiramente à
literatura. Em 31 de dezembro de 1952 iniciou sua carreira na polícia, como comissário,
no 16º Distrito Policial, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Muitos dos fatos
vividos naquela época e dos seus companheiros de trabalho estão imortalizados em seus
livros. Aluno brilhante da Escola de Polícia, não demonstrava, então, pendores
literários. Ficou pouco tempo nas ruas. Foi, na maior parte do tempo em que trabalhou,
até ser exonerado em 06 de fevereiro de 1958, um policial de gabinete. Cuidava do
serviço de relações públicas da polícia. Em julho de 1954 recebeu uma licença para
estudar e depois dar aulas sobre esse assunto na Fundação Getúlio Vargas, no Rio. Na
Escola de Polícia destacou-se em Psicologia. Contemporâneos de Rubem Fonseca dizem que,
naquela época, os policiais eram mais juízes de paz, apartadores de briga, do que
autoridades. Zé Rubem via, debaixo das definições legais, as tragédias humanas e
conseguia resolvê-las. Nesse aspecto, afirmam, ele era admirável. Escolhido, com mais
nove policiais cariocas, para se aperfeiçoar nos Estados Unidos, entre setembro de 1953 e
março de 1954, aproveitou a oportunidade para estudar administração de empresas na New
York University. Após sair da polícia, Rubem Fonseca trabalhou na Light até se dedicar
integralmente à literatura. É viúvo e tem três filhos.
Reconhecidamente uma pessoa que, como Dalton Trevisan, adora o anonimato (o único registro fotográfico que conseguimos foi feito há muitos anos), é descrito por amigos como pessoa simples, afável e de ótimo humor.
Foi, ao longo de sua carreira, agraciado com inúmeros prêmios literários, abaixo descritos.
Sendo profundamente interessado na arte cinematográfica, escreve também roteiros para filmes, muitos deles premiados:
- Coruja de ouro, roteiro Relatório de um homem casado, filme dirigido por Flávio Tambelini.
- Kikito de ouro do Festival de Gramado, roteiro de Stelinha, dirigido por Miguel Faria.
- Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, roteiro de A grande arte, filme dirigido por Walter Salles Jr.
Seus livros são publicado no Brasil e no exterior, com grande sucesso de crítica e de público:
LIVROS PUBLICADOS NO BRASIL:
Os prisioneiros (contos, 1963),
A coleira do cão (contos, 1965)
Lúcia McCartney (contos, 1967)
O caso Morel (romance, 1973)
Feliz Ano Novo (contos, 1975)
O homem de fevereiro ou março (antologia, 1973)
O cobrador (contos, 1979)
A grande arte (romance, 1983)
Bufo & Spallanzani (romance, 1986)
Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (romance, 1988)
Agosto (romance, 1990)
Romance negro e outras histórias (contos, 1992)
O selvagem da ópera (romance, 1994)
Contos reunidos (contos, 1994)
O Buraco na parede (contos, 1995)
Romance negro, Feliz ano novo e outras histórias, Editora Ediouro, Rio de Janeiro, 1996.
Histórias de Amor (contos, 1997)
Do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto (novela, 1997)
Confraria dos Espadas (contos, 1998)
O doente Molière (novela, 2000)
Secreções, excreções e desatinos (contos, 2001)
Pequenas criaturas (contos, 2002)
Diário de um Fescenino (contos, 2003)
64 Contos de Rubem Fonseca (contos, 2004)
Ela e outras mulheres (contos, 2006)
Todos estes livros, com exceção de O homem de fevereiro ou março (editora Artenova),
foram editados ou reeditados pela Companhia das Letras. Os romances O caso Morel e A grande arte foram publicados (em 1998) pela
Record/Altaya, na coleção “Mestres da Literatura Brasileira e Portuguesa”,
para venda em bancas. O romance Agosto está na
coleção “Mestres da Literatura Contemporânea” (1995) editora Record/Altaya,
também para venda em bancas. Romance negro, Feliz
ano novo e outras histórias, foi publicado pela Editora Ediouro, Rio de Janeiro,
1996. Na antologia Onze em campo e um banco de
primeira, da Editora Relume Dumará, Rio, 1998, foi inserido o conto Abril, no Rio, em 1970, originalmente editado no
livro Feliz ano novo. Na antologia Trabalhadores do Brasil, da editora Geração
Editorial, Rio, 1998, foi incluído o conto O
agente, originalmente editado no livro Os prisioneiros. Na antologia Os cem melhores contos brasileiros do século, editora
Objetiva, Rio, 2000, foram publicados os contos A
força humana, Passeio noturno I, Passeio noturno II, Feliz ano novo e A confraria dos espadas. A antologia Contos para um Natal
brasileiro, da Editora Relume Dumará, Rio, 2001, em companhia de
C. D. Andrade, João Ubaldo Ribeiro, Lygia F. Telles e outros, traz
conto sobre a data.
| Los Hermanos | |
|---|---|
| Origem | Rio de Janeiro |
| País | |
| Período | 1997 - 2007 (hiatus) |
| Gênero(s) | Pop rock Indie Rock Alternativo |
| Gravadora(s) | Abril Music Sony BMG |
| Integrantes | Marcelo Camelo Rodrigo Barba Rodrigo Amarante Bruno Medina Banda de Apoio: Gabriel Bubu Valteci Bubu Mauro Zacharias Marcelo Costa |
| Ex-Integrantes | Patrick Laplan |
| Página oficial | www.loshermanos.com.br |
Los Hermanos é uma banda de rock do Rio de Janeiro, Brasil, que mistura indie rock com elementos da música brasileira como o samba e a MPB.
Índice |
Em meados de 1998 os estudantes da PUC-Rio, Marcelo Camelo e Rodrigo Barba, formaram uma banda peculiar. Uma banda de hardcore que não soava como uma, já que seu principal integrante, Marcelo, não expressava a raiva política e o ódio vocal que o hardcore exige. Pelo contrário, Marcelo escrevia e cantava sobre amor. Além disso, trompetes, que não são instrumentos comuns ao gênero, adornavam ainda mais o som da banda[1]. Somando-se a isso ritmos latinos, surgia o Los Hermanos.
Enquanto acompanhava como amigo a jornada musical de Marcelo e Rodrigo, Bruno Medina juntou-se à banda, inserindo mais um elemento diferente, os teclados, também muito incomuns ao hardcore.
Com certo tempo, integrantes originais que, de certa forma, eram secundários para o som da banda, foram a deixando: Márcio (trompetes), Carlos (saxofones) e Victor. Para substituí-los entraram Rodrigo Amarante (vocais e guitarra) e Patrick Laplan (baixo). Com essa nova formação, em 1998, o (grupo) Los Hermanos lança duas demos, "Chora" e "Amor e Folia".
As demos repercutiram na cena underground do Rio de Janeiro e, posteriormente, os Los Hermanos foram chamados para tocar no "Superdemos", grande festival de música independente carioca e no festival Abril Pro Rock, de Recife, considerado um dos festivais que mais revelam artistas nacionais.
Em 1999, a banda assinou com a gravadora Abril Music e lançou seu primeiro CD, homônimo, que repercutiu entre o público jovem, identificados com as letras estilo Jovem Guarda, misturadas a um conjunto musical influenciado pelo hardcore, ska e samba. O primeiro single "Anna Júlia", quase excluído da seleção final pro CD e inspirado numa paixonite do produtor da banda, fora o grande responsável pelo espontâneo sucesso da banda e pelas 300 mil cópias iniciais do CD. Embalada pelo sucesso da música, a gravadora resolveu investir na banda e lançou "Primavera" e posteriormente, "Quem Sabe", como próximos singles, que coincidiam em ter refrões. O álbum emplacou também uma indicação ao Grammy de 2000.
Dois anos depois, em 2001, o grupo lança o "Bloco do Eu Sozinho", também pela Abril Music. Algumas das músicas desse álbum, foram tocadas no Rock in Rio III. A banda perdera o baixista Patrick Laplan, alegando divergências musicais. "Bloco..." surpreendeu grande parte do público por ser um álbum (quase) sem resquícios do anterior. Ao som da banda, acrescentaram-se levadas melancólicas do Samba, da Bossa Nova e de outros ritmos latinos. A euforia do primeiro CD não se repetiu nas vendas e a banda passou a tocar em lugares menores, com a diminuição de seu público. Porém, a partir desse ponto, a banda ganhava um grande aliado em sua caminhada, justamente o público. Músicas como "Todo Carnaval tem seu Fim" (primeiro single), "A Flor", "Sentimental", entre outras, tornaram-se hits à parte do lado comercial. Depois de algum tempo do lançamento, a crítica especializada começaria a elogiar o álbum, que ganhou notoriedade no meio após ter chegado ao conhecimento de todos a divergência que havia entre a banda e a gravadora. O guitarrista Rodrigo Amarante, passou a ter mais espaço na banda, com composições como "Sentimental", "Cher Antonie" e "A Flor" (essa com Marcelo Camelo). Seguiram-se ainda, participações no "Fordsupermodels" - a banda tocava em um palco, fazendo a trilha sonora para o evento de moda - e no Luau MTV, no qual foram incluídas, em versão acústica, músicas do primeiro e do segundo CD.
O ano de 2003 chegava e já na BMG (atual Sony&BMG), os Hermanos lançaram o álbum "Ventura". Antes chamado de "Bonança", o disco teve uma curiosidade em seu preparo: o primeiro disco nacional a "vazar" em sua fase de pré-produção. O terceiro álbum apresentava um Los Hermanos multi-facetado. De "Samba a Dois" ao Pop-rock de "O Vencedor" ou dos diálogos de "Conversa de Botas Batidas" e "Do Lado de Dentro", "Ventura" vinha com status do álbum que consolidaria a banda no cenário nacional. O primeiro single, "Cara Estranho", marcou boa presença nas rádios e em premiações de videoclipes. Vieram depois "O Vencedor" e "Último Romance", essa última de Rodrigo Amarante, que assinou 5 das 15 músicas do CD e passou a se destacar como compositor do cenário. Camelo, antes já badalado, calcara ainda mais sua posição de compositor e passou a chamar a atenção de toda uma crítica desconfiada. A cantora Maria Rita em seu álbum homônimo, gravou três músicas dele: "Santa Chuva", "Cara Valente" e "Veja Bem Meu Bem". Os shows passaram a abrigar uma legião de fãs que passaram a ser a marca registrada da banda. Foi na turnê de "Ventura", que foi registrado o DVD "Ao Vivo no Cine Íris", gravado no Rio de Janeiro, com um repertório predominante do CD.
Em 2005 chega o quarto CD da banda, "4". Produzido por Kassin, que assinara os dois últimos, o álbum mostrava um conteúdo mais introspectivo e uma aproximação mais impactante com a MPB. O disco, no entanto, seria considerado "irregular" pela grande crítica. Seja no violão de "Sapato Novo" e na bossa de "Fez-se Mar", ou a predominância de um clima saudoso nas letras de Camelo e Amarante, "4" dividiu - novamente - o público: a banda estava em mais um novo rumo.
Em abril de 2007 a banda anuncia um recesso de duração indeterminada nos trabalhos, que, segundo os integrantes, deve-se ao fato de terem acumulado muitos projetos pessoais ao longo de seus dez anos de carreira.

Nome:
Dalton Jérson Trevisan
Nascimento:
14/06/1925
Natural:
Curitiba - Pr
Dalton Trevisan
(O Vampiro de Curitiba)
"O que não me contam, eu escuto atrás das portas. O que não sei,
adivinho e, com sorte, você adivinha sempre o que,
cedo ou tarde, acaba acontecendo."
" — Não vou responder às perguntas simplesmente porque não posso, é verdade;
sou arredio, ai de mim! Incurávelmente tímido (um pouco menos com as loiras
oxigenadas!)." Já se escreveu e se comprovou que os demais vampiros não podem
encarar, sem pânico, um crucifixo. Ou réstias de alho, água corrente
cristalina... Dalton não pode ver um jornalista. Vendo, foge, literalmente
foge, apavorado. Suas raras fotos surgidas na imprensa foram feitas às escondidas,
como a que utilizamos para ilustrar esta página.
Nascido em 14 de junho de 1925, o
curitibano Dalton Jérson Trevisan sempre foi
enigmático. Antes de chegar ao grande público, quando ainda era estudante de Direito,
costumava lançar seus contos em modestíssimos folhetos. Em 1945 estreou-se com um livro
de qualidade incomum, Sonata ao Luar, e, no ano seguinte, publicou Sete Anos
de Pastor. Dalton renega os dois. Declara não possuir um exemplar sequer dos
livros e "felizmente já esqueci aquela barbaridade".
Entre 1946 e 1948, editou a revista Joaquim, "uma homenagem a todos os Joaquins do Brasil". A publicação tornou-se porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais. Reunia ensaios assinados por Antonio Cândido, Mario de Andrade e Otto Maria Carpeaux e poemas até então inéditos, como O caso do vestido, de Carlos Drummond de Andrade. Além disso, trazia traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre e Gide e era ilustrada por artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres.
Já nessa época, Trevisan era avesso a fotografias e jamais dava entrevistas. Em 1959, lançou o livro Novelas Nada Exemplares - que reunia uma produção de duas décadas e recebeu o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro - e conquistou o grande público. Acresce informar que o escritor, arisco, águia, esquivo, não foi buscar o prêmio, enviando representante. Escreveu, entre outros, Cemitério de elefantes, também ganhador do Jabuti e do Prêmio Fernando Chinaglia, da União Brasileira dos Escritores, Noites de Amor em Granada e Morte na praça, que recebeu o Prêmio Luís Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil. Guerra conjugal, um de seus livros, foi transformado em filme em 1975. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas: espanhol, inglês, alemão, italiano, polonês e sueco.
Dedicando-se exclusivamente ao conto (só teve um romance publicado: "A Polaquinha"), Dalton Trevisan acabou se tornando o maior mestre brasileiro no gênero. Em 1996, recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto de sua obra. Mas Trevisan continua recusando a fama. Cria uma atmosfera de suspense em torno de seu nome que o transforma num enigmático personagem. Não cede o número do telefone, assina apenas "D. Trevis" e não recebe visitas — nem mesmo de artistas consagrados. Enclausura-se em casa de tal forma que mereceu o apelido de O Vampiro de Curitiba, título de um de seus livros.
"O "Nélsinho" dos contos originalíssimos e antológicos, é considerado desde há muito "o maior contista moderno do Brasil por três quartos da melhor crítica atuante". Incorrigível arredio, há bem mais de 35 anos, com com um prestígio incomum nas maiores capitais do País. Trabalhador incansável, fidelíssimo ao conto, elabora até a exaustão e a economia mais absoluta, formiguinha, chuvinha renitente e criadeira, a ponto de chegar ao tamanho do haicai, Dalton Trevisan insiste ontem, hoje, em Curitiba e trabalhando sobre as gentes curitibanas ("curitibocas", vergasta-as com chibata impiedosa) e prossegue, com independência solene e temperamento singular, na construção e dissecação da supra-realidade de luas, crianças, amantes, velhos, cachorros e vampiros. E polaquinhas, deveras."
Em 2003, divide com Bernardo Carvalho o maior prêmio literário do país — o 1º Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira — com o livro "Pico na Veia".
Livros Publicados:
- Abismo de Rosas
- Ah, É?
- A Faca No Coração
- A Guerra Conjugal
- A Polaquinha
- Arara Bêbada
- A Trombeta do Anjo Vingador
- Capitu Sou Eu
- Cemitério de Elefantes
- 111 Ais
- Chorinho Brejeiro
- Contos Eróticos
- Crimes de Paixão
- Desastres do Amor
- Dinorá - Novos Mistérios
- 234
- Em Busca de Curitiba Perdida
- Essas Malditas Mulheres
- Gente Em Conflito (com Antônio de Alcântara Machado)
- Lincha Tarado
- Meu Querido Assassino
- Morte na Praça
- Mistérios de Curitiba
- Noites de Amor em Granada
- Novelas nada Exemplares
- 99 Corruíras Nanicas
- O Grande Deflorador
- O Pássaro de Cinco Asas
- O Rei da Terra
- O Vampiro de Curitiba
- Pão e Sangue
- Pico na veia
- Primeiro Livro de Contos
- Quem tem medo de vampiro?
- 77Ais
- Vinte Contos Menores
- Virgem Louca, Loucos Beijos
- Vozes do Retrato - Quinze Histórias de Mentiras e Verdades
- Macho não ganha flor
(Todos os livros publicados pela Editora Record - São Paulo, exceto "Vozes do Retrato - Quinze Histórias de Mentiras e Verdades" e "Quem tem medo de vampiro?", publicados pela Editora Ática - São Paulo, "77 Ais", impresso pelo autor em papel jornal; "O Grande Deflorador" , "99 Curuíras Nanicas" e "111 Ais", L&PM - Porto Alegre).
Livros renegados pelo autor:
- Sonata ao Luar
- Sete Anos de Pastor
(Primeiros livros publicados, que o autor renega. Editores desconhecidos).
No Exterior:
- Novela Nada Ejemplares - trad.
Juan Garcia Gayo, Monte Avila - Caracas
- The Vampire of Curitiba and Others Stories - trad. Gregory Rabassa, Alfred A.
Knopf, Nova Iorque
- De Koning Der Aarde (O Rei da Terra) - trad. August Willemsen, Amsterdam
- El Vampiro de Curitiba - trad. Haydée M.J.Barroso, Ed.Sudamericana - Buenos Aires
- De Vijfvleugelige Voguel (O Pássaro de Cinco Asas) - trad. A. Willemsen, Amsterdam
Antologias:
- Contos em antologias alemãs (1967 e 1968), argentinas (1972 e 1978), americanas (1976 e 1977), polonesas (1976 e 1977), sueca (1963), venezuelana (1969), dinamarquesa (1972) e portuguesa (1972).
Filmes:
- A Guerra Conjugal - histórias e diálogos do autor, roteiro e direção de Joaquim Pedro de Andrade, 1975.
Informações obtidas junto à página da Editora
Record e artigos publicados pelo jornal "O Estado de São Paulo", de autoria de
José Paulo Paes e João Antônio, em 20/07/96.
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